sábado, 1 de março de 2014

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Essa conta todos nós pagamos.

 
 Recentemente vimos o Presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB - RN), o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB - AL) e o ministro da Previdência Social Garibaldi Alves Filho (PMDB - RN), tendo que dar explicações quanto ao uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em eventos particulares. Também soubemos que o Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB – RJ) adquiriu um helicóptero para levá-lo de casa ao trabalho (trecho de menos de 10 Km que é feito em cerca de 3 minutos) e também para leva-lo a sua casa de campo nos fins de semana na companhia de sua esposa, seus filhos, babás e até o cachorro de estimação da família. É óbvio que isso tudo deve ser considerado abuso e desrespeito com a sociedade brasileira, no entanto existem abusos iguais ou até maiores do que esses e que sequer podem ser considerados como irregularidades pois fazem parte dos inúmeros privilégios que os políticos possuem com destaque para : :

* emprego com um excelente salário e jornada de trabalho de apenas três dias semanais
* duas férias devidamente remuneradas por ano
* plano de saúde sem desconto e com reembolso total de todo tipo de despesas médicas
* ressarcimento de despesas odontológicas e psicoterápicas
* casa para morar e auxílio-moradia
* carro oficial, tanque cheio e motorista
* verba de transporte aéreo com direito a passagens aéreas para viajar até mesmo a passeio
* 14º e 15º salários
* Cotão (CEAP) - verba indenizatória
* cota de telefone fixo e cota de telefone celular
* servidores, assessores e consultores de gabinete
* verba de gabinete
* auxílio para se mudar para Brasília
* verba para comprar terno e gravata (auxílio paletó)
* direito a cota para cobrir despesas com os Correios e gráficas
* foro privilegiado

  Devemos saber também que parte dos privilégios destacados acima frequentemente são estendidos a deputados estaduais, deputados distritais, vereadores e uma série de funcionários do poder público. Mas não é só isso, como se tudo o que foi citado não fosse suficiente para revoltar qualquer um, devemos ter em mente que :

* o expediente no Congresso Nacional, nas Câmaras Estaduais e Municipais é de terça a quinta
* há recessos remunerados em janeiro, julho e dezembro
* nas assembleias legislativas, o salário dos deputados estaduais e distritais é de cerca de R$ 20.000,00
* a maioria dos parlamentares tem direito a auxílio-moradia, até mesmo para aqueles que possuem imóveis próprios na cidade sede do Legislativo
* a jornada de trabalho também é enxuta para os vereadores que em boa parte dos municípios brasileiros são obrigados a comparecer nas câmaras municipais apenas duas vezes por mês ou, em alguns casos, apenas uma vez por mês.

  Pessoas que trabalham para o poder Executivo nas esferas municipais, estaduais e federal como prefeitos, governadores, presidente da República, secretários e ministros também possuem seus “benefícios” como :

* cartões corporativos
* recebimento de dinheiro pela participação em conselhos da administração pública e empresas estatais
* ex-presidentes e também alguns ex-governadores recebem salário mesmo após deixar seus cargos
* no caso dos presidentes, eles têm direito também a dois carros oficiais e oito funcionários até o fim da vida

  Os funcionários do Judiciário como os Magistrados, conselheiros dos tribunais de Contas e integrantes do Ministério Público também desfrutam de privilégios e benesses inimagináveis para um trabalhador comum, com destaque para :

* cargo vitalício
* licença remunerada e aposentadoria compulsória com vencimento integral como “punição” para alguma irregularidade cometida no exercício da função
* cota de passagens (que deve ser gasta em viagens oficiais, mas pode ser estendida a parentes)
* auxílio-alimentação
* licença remunerada para estudar no exterior
* duas férias por ano de 30 dias cada – com direito a um terço a mais do salário por período.

  Cálculos divulgados pelo site Transparência Brasil mostram que cada parlamentar brasileiro custa em média R$ 10,2 milhões por ano, valor que se multiplicado por 584 que é o número de deputados federais (513) somado ao número de senadores (81), nos fará chegar a quase R$ 6.000.000.000 ao ano, mas não devemos nos esquecer dos deputados estaduais, distritais, dos vereadores e uma série quase incalculável de servidores públicos que elevam essa conta ainda mais. Também é necessário esclarecer que nem todos os benefícios estão citados neste texto (sim, ainda tem mais) e devemos lembrar ainda dos presentes e doações para campanhas eleitorais que essas pessoas recebem de empreiteiras, lobistas e outros grupos que certamente possuem interesses bem pouco nobres e que quase invariavelmente se relaciona com casos de corrupção. Assim começamos a entender porque se cobra tantos impostos no Brasil e porque o retorno disso para a sociedade deixa tanto a desejar.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O Primeiro Passo

 Por : Glauco Ribeiro

 Mesmo com todas as discordâncias, divergências políticas e teorias de conspiração que tenho visto nos últimos dias, estou orgulhoso do povo do meu país.
 Parece que finalmente, a sociedade brasileira resolveu lutar por seus direitos e cobrar da classe politica o trabalho que eles devem realizar e que justifica a existência de seus mandatos. Os protestos e manifestações realizados desde as últimas semanas estão surtindo um efeito até maior do que eu havia imaginado. As tarifas de transporte público foram reduzidas, a PEC 37 foi rejeitada no Congresso Nacional e a “cura gay” também já é assunto encerrado. Isso tudo deve servir para que tomemos consciência da nossa força e para que passemos a fazer com que essas mobilizações se tornem parte do exercício de nossa cidadania. Certamente. há muita coisa a ser feita até que o Brasil deixe de ser apenas um país emergente e passe a ser uma nação desenvolvida que proporciona vida digna a sua população. Provavelmente, não veremos isso acontecer, pois os problemas seculares que se perpetuam no país não serão resolvidos no curto prazo de nossas vidas, mas ficarei feliz se chegar a conclusão de que estamos dando os primeiros passos rumo a superação dos gravíssimos problemas sociais que persistem em praticamente todo o Brasil e principalmente se chegar a conclusão de que finalmente surgiu a força necessária para a mudança que tanto desejamos. Não podemos, em nenhuma hipótese permitir que este movimento perca força, pelo contrário, devemos intensificar a mobilização popular, agregando um número cada vez maior de pessoas e estabelecendo com clareza os objetivos pelos quais estamos lutando.
 A essência dessa iniciativa popular que vimos surgir desde o início das manifestações deve estar sempre presente e nos inspirar nas lutas que travaremos daqui em diante.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Chegou a hora do basta

Por : Leonardo Sakamoto

 No quarto dia de protesto contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos, o Estado policialesco que o reprime ultrapassou, ontem, todos os limites e, daqui para a frente, ou as autoridades determinam que a polícia não aja feito um animal que baba, ao contrário do que vem fazendo, ou a capital paulista ficará entregue à desordem, o que é inaceitável. Durante sete horas, numa movimentação que começou na Praça Ramos de Azevedo, passou pelo Centro – em especial pela Praça da República e a Rua da Consolação – chegando à avenida Paulista, os policiais provocaram conflitos com os manifestantes, agrediram  jornalistas e aterrorizaram a população.
 A violência desmesurada, que tem sido a marca da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma corporação que mantém ranços desenvolvidos durante o último período ditatorial brasileiro, só tem feito aumentar. Por onde passaram, os 900 policiais deixaram um rastro de desrespeito aos direitos humanos – estudantes feridos, pessoas detidas por carregar vinagre (usado no combate à intoxicação das bombas), idosas senhoras que não participavam do ato e até uma universidade atingidas por bombas de gás lacrimogênio. Spray de pimenta foi jogado em um cinegrafista na Praça Patriarca e um policial, de acordo com imagens que aparecem em um vídeo, quebrou o vidro de sua viatura. Para quê, não se sabe. Em algumas das ruas e avenidas por onde passaram, especialmente na rua da Consolação, aterrorizaram a população e lançaram bombas para impedir a passagem dos manifestantes e inviabilizar uma passeata que seguia, até então, pacífica.
 Atacada com bombas e tiros de borracha sempre que tentava seguir com a caminhada pacífica, uma minoria nem de longe representativa dos manifestantes devolveu com pedras e paus, sendo que a maioria correu desesperada para longe. Também uma minoria depredou ônibus, lixeiras e fez barricadas com sacos de lixo. O saldo foi de 235 pessoas detidas e outros tantos com ferimentos graves, entre eles jornalistas.
 A PM agiu com ignorância, ao contrário do que disse o poder público, que a defendeu da truculência para justificar a contenção da manifestação. Num episódio em que isso ficou bem claro, um PM que passava pela rua Augusta, feriu gravemente o rosto de uma jovem repórter do jornal Folha de S.Paulo. Sacou a arma, mirou e atirou com bala de borracha. Outros seis jornalistas do periódico ficaram feridos.
 Em suma, foi mais um dia de cão, pior do que os outros na região central, no qual a violência da polícia assustou e comprovou que as leis que garantem os direitos de paulistanos que vivem na cidade não valem absolutamente nada. O comportamento da polícia deixou apreensivos outras centenas de milhares da classe média, que descobriram pela televisão que esse tipo de violência existe. Mas não assustou milhões de moradores da periferia, que experimentam desde cedo a truculência da polícia, que – não raro – os trata – como cidadãos de segunda classe. Ontem, o Centro virou Periferia.
 O reconhecimento por parte do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo de que excessos podem ter sido cometidos, assim como a incapacidade do poder público de garantir que sua própria força policial aja de forma adequada, não atenuam a sua responsabilidade pelo fogo que atearam. Embora tenha afirmado que abrirá sindicância para apurar os fatos, o governo mantém a confiança na polícia, mesmo já tendo demonstrado sua incapacidade de lidar com manifestações e seu comportamento em momentos de enfrentamento social. Sabem todos muito bem o que estão fazendo.
 A reação do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad às manifestações indica que eles se dispõem a endurecer o jogo. A atitude excessivamente moderada do prefeito cansa a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer um transporte público de melhor qualidade e com preço mais baixo – e isso depende de coragem política, coisa que parece faltar.
 De Paris, onde se encontrava para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Depois das cenas de violência desta quinta, espera-se que ele segure seus policiais e determine que a PM aja com o máximo rigor para apurar a selvageria e conter a fúria de alguns de seus policiais, que se mostraram mal-preparados, mal-intencionados e alheios à sua função de proteger o cidadão, antes que esse comportamento violento tome conta da cidade.
 Haddad, que se encontrava em Paris pelo mesmo motivo, também foi afirmativo ao dizer que “os métodos (dos manifestantes) não são aprovados pela sociedade. Essa liberdade está sendo usada em prejuízo da população”. Nesta quinta, reclamou da violência policial, mas disse que a tarifa não vai baixar. E o ministro da Justiça de seu partido político, José Eduardo Cardozo, ofereceu ajuda do governo federal para a contenção dos protestos. A gravidade da situação exige que o prefeito esclareça se com isso o seu partido quis dizer que concorda que manifestações populares devem ser reprimidas à bala.
 Em tempo: Todos têm direito a ter uma opinião e divulgá-la. Por isso, respeito (praticamente) todas. Mas como percebi que a minha era diametralmente oposta à do jornal Estado de S.Paulo, desta quinta (13), no caso das manifestações contra o aumento no preço da passagem, aproveitei o texto do editorial de lá para uma paráfrase. A bem da verdade, o texto é o mesmo, invertendo o “sinal”. Certamente, o Estadão não vai se importar com este exercício de retórica vindo de alguém que respirou gás lacrimogênio na noite de ontem. E como fui informado que boa parte dos jornalistas que lá trabalham também discordam desse posicionamento, acho que estou absolvido.
 
 
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Violência nas escolas: Das ruas para a sala de aula

 
Por : José Renato Salatiel

 Cenas de alunos brigando entre si, agredindo professores ou sendo atacados por profissionais que deveriam ensiná-los são cada vez mais comuns nas redes sociais e em noticiários da TV.
 Os casos acontecem desde os anos 1990 – quando surgiram as primeiras discussões de especialistas sobre o assunto – e estão relacionados com o aumento da criminalidade nas grandes cidades, verificado na mesma época.
 Na última década, contudo, os registros tornaram-se mais frequentes, além de ganharem notoriedade graças à divulgação na internet, em sites como o YouTube e o Facebook. Os vídeos são disseminados, muitas vezes, pelos próprios jovens envolvidos nas agressões, como forma de conquistar status junto aos colegas.
 O crime mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando doze adolescentes com idades entre 12 e 14 anos foram mortos a tiros na escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era um ex-aluno que teria sido vítima de bullying.
Segundo a pesquisa mais recente sobre o assunto, divulgada em 9 de maio, quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), entrevistou 1.400 docentes da rede estadual de 167 cidades.
 Os dados comprovam o que educadores já sabiam: a fronteira entre a escola e a violência das ruas deixou de existir. Vandalismo, agressões, confronto entre gangues, roubos, tráfico e até assassinatos passaram a fazer parte da rotina escolar.
 De acordo com a pesquisa, intitulada “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento. A insegurança no trabalho, de acordo com os coordenadores do estudo, é comum entre os docentes.
 
Drogas
 
 Mas, porque a escola deixou de ser uma referência de segurança e de futuro melhor para crianças e adolescentes para se tornar um ambiente de medo?
 Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, acontece dentro dos próprios estabelecimentos de ensino.
 Psicólogos e pedagogos apontam ainda a educação recebida em casa. Os pais são muito permissíveis em relação o comportamento dos filhos ou muito agressivos. De qualquer forma, de acordo com especialistas, a falta de valores familiares seria um dos motivos da violência.
 Apontam-se, também, fatores como a exclusão social a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e acadêmico. A educação, nesse sentido, deixou de ser uma alternativa ao ciclo de pobreza e desagregação familiar vivido por estudantes de periferias.
 Entretanto, uma pesquisa mais abrangente, publicada pela Unesco em 2003, concluiu que nenhuma dessas explicações, isoladas, respondem à questão. É preciso, de acordo com a Unesco, analisar um conjunto de causas externas (como o fácil acesso a armas e drogas no entorno das unidades de ensino) e internas, que interagem entre si.
 Entre os aspectos internos são apontados a falta de segurança nas escolas e o descontentamento de alunos com a disciplina, a estrutura e a qualidade de ensino. Segundo a Unesco, a violência é uma das principais razões para o abandono dos estudos.
 Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o tema com alunos e familiares apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas. Os governos investiram, ao longo dos anos, em rondas escolares, sistema de vigilância por câmeras e proteção dos prédios com muros altos, grades e cadeados. Também são promovidos eventos, palestras e oferecidos cursos de mediação de conflitos em escolas públicas para educadores

 Fonte : www.educacao.uol.com.br

terça-feira, 7 de maio de 2013

Alunos com deficiência visual descobrem animais pelo tato


Por : Thais Leitão


 Uma ave de asas leves, com bico quase de plástico e muito colorido. É assim que Gabriel Fernando Silva, 18 anos, enxerga o tucano, bicho que nesta segunda-feira segurou pela primeira vez. Totalmente cego desde que nasceu, ele garante que não precisa dos olhos para saber como é a beleza da natureza.

 "É um mundo incrível, encantador, que eu vejo com as mãos. Achava que o tucano era um pouco maior do que isto, mas agora eu vi como ele é de verdade", disse. Gabriel é um dos 12 alunos do Centro Educacional Setor Leste, uma escola pública de Brasília, que participaram de uma visita guiada ao zoológico de Brasília, por meio do Projeto Zoo Toque. Ansioso, assim que chegou ao local, o jovem que sonha ser jornalista, perguntou: "Cadê o tucano que eu não vi?".

 Igualmente encantado com a ave, Giovani Alziro, 20 anos, contou que mesmo antes de conhecê-la de perto, já tinha sua imagem construída na mente. "Na minha cabeça, o mundo das aves já estava todo formado. É um mundo muito colorido e, por isso, lindo. O tucano que eu peguei hoje, por exemplo, é azul e amarelo. Então sei que ele tem as cores do céu e do sol. Foi uma sensação incrível", descreveu.
 Além do tucano e da arara-canindé, recuperados do tráfico de animais e condicionados desde pequenos para não se assustarem com o toque das pessoas, os alunos do grupo também conheceram o elefante, o hipopótamo e a girafa. Com a ajuda de monitores capacitados, esses dois últimos animais foram alimentados pelos jovens.
 Ao segurar a alfafa, que serve de comida para o elefante, Andrea Lívia, 19 anos, ficou surpresa com a aspereza do vegetal. "Achava que era mais fofinho. É estranho, muito áspero", disse, intercalando sorrisos com uma careta por causa do cheiro forte do bicho. "O cheiro dele que não é bom. É muito marcante, não gostei muito", completou ela, que nasceu com deficiência visual em razão de uma rubéola contraída pela mãe durante a gestação.
 Tainara de Almeida, 17 anos, logo percebeu que o local onde o elefante dorme tem pé direito alto. "Pelo eco que faz aqui, dá para ver que o teto é bem distante", observou. Segundo funcionários do zoológico, que confirmaram a percepção da menina, o lugar chamado de recinto do elefante tem, pelo menos, 5 metros de altura.
 Para Jéssica Gomes, 19 anos, o que mais chamou a atenção foi a fome do hipopótamo. "A gente dava comida e ele sempre abria a boca de novo. Que bicho faminto", disse a jovem, que já tinha visitado o zoológico com a família, mas pela primeira vez alisou o pelo dos bichos.

"Achei o pelo dele gelado e molhado. Deu um nervosinho, mas foi muito gostoso", contou que também gostou de segurar o tucano. "Esse foi o bicho que achei mais bonito. Ele é lindo porque sei que come frutas. Como as frutas são lindas, ele também é", concluiu.

 O professor Renato Soares, um dos que acompanhou o grupo, explicou que conhecer de perto os animais, principalmente os selvagens, entender o local onde vivem, do que se alimentam e observar suas dimensões enriquece o processo de aprendizagem, estimulando o interesse e aguçando a curiosidade dos alunos. Segundo ele, exatamente da forma como ocorre com qualquer estudante.

"Ensinamos o que está nos livros, mas quando vamos até o objeto do estudo e vemos de perto, tudo se torna mais real, mais concreto e mais encantador. É assim com os alunos que têm deficiência como com qualquer aluno", enfatizou.

 Ele explicou que, para orientar a observação, são feitas comparações com elementos já conhecidos pelos adolescentes. Para ajudá-los a compreender o tamanho do elefante, por exemplo, o professor disse que era quase como uma van. "Eles podem não enxergar com os olhos, mas enxergam com os outros sentidos e vêem tudo, só que da maneira deles", acrescentou.
 Ao longo de todo o ano, esses alunos farão visitas mensais ao zoológico. Na programação, desenvolvida por biólogos, zootecnistas e educadores ambientais da instituição, estão incluídas noções de fisiologia animal e de conscientização ambiental, além de observação do borboletário e do serpentário. A cada ano, o zoológico firma parceria com uma escola para desenvolver o projeto.
 A coordenadora da iniciativa, Marcelle de Castro, explicou que o zoológico conta com estrutura para receber pessoas com deficiência qualquer dia da semana, mas enfatizou que para visitas orientadas é preciso fazer agendamento prévio por meio do telefone (61) 3445-7013.
 A especialista em inclusão Claudia Werneck ressaltou que o direito ao lazer é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que deve ser assegurado com ampla e diversificada oferta.

"O direito ao lazer vale para para qualquer criança, com ou sem deficiência, e significa que elas devem não apenas estar nos espaços, mas participar e usufruir deles em plenas condições de acessibilidade. Isso deve valer para todas as crianças, em todos os espaços e em todos os momentos", disse a especialista, que é fundadora da Escola de Gente, organização não governamental que trabalha pela disseminação de políticas públicas inclusivas.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem 600 milhões de pessoas com deficiência no mundo, mais da metade delas vivendo nas regiões pobres dos países em desenvolvimento, como o Brasil

Fonte : www.terra.com.br

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013